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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Chá do Santo Daime ativa áreas da visão e da memória, aponta estudo


25/08/2012 11h00 - Atualizado em 27/08/2012 15h23

Cientistas apresentam no interior de SP efeitos da ayahuasca no cérebro.

Bebida Enteógena é usada em rituais religiosos em quase 40 países.

Luna D'AlamaDo G1, em São Paulo
Os efeitos sobre o cérebro causados pela substância alucinógena ayahuasca, mais conhecida como "chá do Santo Daime", viraram tema de uma apresentação científica neste sábado (25) em Águas de Lindoia, no interior de São Paulo. Quatro pesquisadores mostraram seus estudos sobre a bebida na 27ª Reunião Anual das Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), que ocorre na cidade desde quarta-feira (22).
Um dos estudos, conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, analisou a atividade cerebral de cinco homens e cinco mulheres, entre 24 e 48 anos, antes e após 40 minutos da ingestão do chá. Cada voluntário passou por dois exames de ressonância magnética.
Cerimônia do santo daime no Peru (Foto: Jaime Razuri/AFP/Arquivo)Cerimônia do Daime no Peru, um dos países onde o chá está presente (Foto: Jaime Razuri/AFP/Arquivo)
Segundo o professor adjunto do Departamento de Radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Tiago Sanchez, que foi co-autor da pesquisa, liderada entre 2007 e 2011 pelo professor Draulio de Araújo – hoje na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) –, a bebida ativa uma região do cérebro relacionada à memória e outra ligada à visão, mesmo se a pessoa estiver com os olhos fechados.
Isso poderia esclarecer, por exemplo, as visões ou imagens de caráter espiritual que os praticantes relatam.
"Esse fenômeno, assim como um sonho lúcido, poderia explicar o caráter realístico e místico das visões durante os rituais com ayahuasca", afirma Sanchez.
De acordo com ele, estudos anteriores já mostraram que o chá atua nas mesmas conexões da serotonina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer e bem-estar.
Substâncias do Santo Daime
Outro palestrante presente no debate sobre os efeitos do chá do Santo Daime no corpo foi o neurocientista e pesquisador da Unifesp Eduardo Schenberg, que pretende iniciar uma pesquisa sobre o tema até o fim do ano, com 18 voluntários.

Schenberg deve analisar as variações nos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, após a ingestão da ayahuasca. Além disso, quer observar como o organismo humano metaboliza – ou seja, aproveita – as substâncias contidas no chá.
Planta usada para fazer o chá do santo daime (Foto: Rodrigo Buendía/AFP/Arquivo)Planta usada para fazer o chá do Santo Daime
(Foto: Rodrigo Buendía/AFP/Arquivo)
Para isso, será feita uma eletroencefalografia – exame que põe eletrodos no couro cabeludo e analisa as correntes elétricas do cérebro – após cada participante ingerir uma cápsula de chá desidratado ou de placebo, que não tem efeitos químicos sobre o corpo.
"A bebida tem uma farmacologia bem complexa, que inclui pelo menos quatro substâncias importantes. Três delas atuam no sistema de transmissão da serotonina e a quarta, chamada de dimetiltriptamina ou DMT, ativa a área do cérebro que induz a visões de caráter realista", ressalta Schenberg.
Segundo o neurocientista, a bebida já foi "exportada" pelo Brasil para 38 países, onde funcionam unidades das igrejas do Santo Daime, da União do Vegetal e da Barquinha.
O pesquisador ainda procura voluntários para o estudo, e os interessados podem entrar em contato com o Departamento de Psiquiatria da Unifesp. É preciso ter mais de 21 anos, já estar iniciado nesse ritual, não usar drogas, antidepressivos nem ter doenças psiquiátricas ou neurológicas.
Além dos dois trabalhos, apresentaram-se na Fesbe, neste sábado, os pesquisadores Luis Eduardo Luna e Suely Mizumoto, que falaram, respectivamente, sobre antropologia e história da ayahuasca e sobre escalas para avaliar as imagens mentais geradas por ela.


Fonte: 
g1.globo.com
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crentes do Daime, cuidado para não virar um!

Por Daniel Moricz
 
Olá Amigos,

Hoje venho abordar um tema que julgo ser de pontual importância. Os "crentes" do Santo Daime.

O fanatismo é prejudicial em qualquer religião. É ele o responsável por transformar um hábito sadio e a convivência pacífica e amorosa entre os integrantes de um grupo religioso em doença e guerra contra aqueles que não partilham das mesmas ideias.

É muito comum criticar os Evangélicos no que diz respeito ao fanatismo deles, comentários do tipo: "Aff, não aguento mais essas canções evangélicas", "Agora tem até moda evangélica", "Que absurdo, esse povo vive querendo doutrinar e convencer os outros de suas convicções". Verdade, muitos evangélicos fazem tudo isso, e até mais. Mas será que em outras religiões, e mais particularmente agora me referindo ao Daime, é tão diferente assim?

Esses dias, aqui no blogue foi postada uma entrevista com Marcelo Del Debbio, estudioso espiritualista, já experimentou Daime, mas não é ligado a religião. A opinião dele sobre os Daimistas é a seguinte: "Os daimistas não são pessoas más, como as igrejas e até mesmo os espíritas ficam falando, mas em geral são muito pouco estudados e informados sobre o que estão fazendo. Acabam se tornando "crentes de Daime" quando deveriam estudar e pesquisar mais e entender aquilo que estão fazendo ali: suas consequências e implicações".
Essa colocação dele me fez pensar um bocado e no tempo que tenho estado na doutrina me deparei com situações que demonstraram claramente que sim, há "crentes" no Santo Daime.

Façamos uma análise organizada do assunto. A doutrina é muito bela, rica e cheia de ensinamentos para aqueles que buscam de verdade aprender e se desenvolver espiritualmente. Hinários como o do Mestre Irineu, Germano Guilherme e Maria Marques (Maria Damião), são preciosidades em esclarecimentos e lições que parecem simples, mas são extremamente difíceis de serem seguidas.

Os trabalhos são cheios de significado e processos que se bem analisados fazem, dentro do contexto, todo o sentido. O fardamento é algo muito sério e representa que aquele fardado agora faz parte de uma égregora voltada para o bem e a iluminação. O fardamento é um processo iniciático e é um passo que deve ser muito bem considerado e analisado antes de ser dado.
O cruzeiro de duas faixas horizontais (Cruz de Caravaca) avistada por Mestre Irineu em sua primeira experiência com Ayahuasca é cheia de significados místicos e espiritualistas que remetem não só ao Catolicismo, como também à própria árvore da vida.

Padrinho Sebastião, foi responsável por uma bela e admirável reforma e expansão da doutrina, trazendo elementos do espiritismo e de outras linhas religiosas. Mas ele não trouxe estes elementos por acaso, o Padrinho era um buscador e tudo aquilo incluído por ele na doutrina fazia todo o sentido, ao menos na época.

O grande problema é que em muitos casos, parou-se de buscar. O comodismo tem tomado conta em muitas igrejas e infelizmente a meu ver, o Santo Daime tem se tornado cada vez mais uma compilação de crenças Católicas (base da doutrina), umbandistas e espiritas. Não que não se deva aproveitar o que é bom em cada uma das diferentes doutrinas, pelo contrário, o verdadeiro buscador se identifica pelo questionamento e avaliação daquilo que pode ser verdadeiro e é bom. A questão é que muitos, muitos mesmo, pararam de questionar. Não sei se por comodismo ou por fanatismo, mas simplesmente pararam.

Tomam os hinos cheios de significado apenas ao pé da letra. Esquece-se de ler as entrelinhas. O fardamento passou a ser um evento de moda. Muitos querem se fardar porque acham a farda "linda". Não se sabe em geral que o cruzeiro é a representação da Cruz de Caravaca e muito menos se tem ideia das representações místicas da mesma. Lê-se a bíblia, mas interpreta-se a mesma da mesmíssima maneira que os evangélicos o fazem, ou seja, ao pé da letra. O estudo teológico e significativo passa longe. Acredita-se em reencarnação, Karma, vida espiritual, psicografia e até em passividade, mas ignora-se completamente o trabalho mais completo feito sobre o assunto, a codificação de Kardec. Hoje, dá-se muito mais importância a sinaizinhos e pezinho pra cá ou pra lá, disputas para ficar na primeira fila ou para ser puxadora, se meu maracá e minha farda são mais bonitos do que os seus, do que para o que realmente importa: O estudo.

Aliás, há uma disputa para ver quem canta mais alto, ao invés de se preocupar em se preparar e se organizar para que cada um cante dentro de sua possibilidade, sem se forçar, e assim poder cantar com o coração e realmente sentir o que o hino está trazendo.

Mais impressionante ainda é o fato de que muitos comandantes estimulam este comportamento e reprimem qualquer forma de busca de entendimento fora do ambiente do trabalho. Perguntar demais, questionar, duvidar, ter uma visão ou conclusão diferente. Tudo isso é considerado rebeldia. O buscador é considerado "rodado". Alguns comandantes inclusive enchem a boca para dizer "A Doutrina não é isso. a Doutrina é assim ou assado" como se fossem os verdadeiros donos da mesma e como se esta não pudesse, ou melhor, devesse estar sempre em desenvolvimento e evolução, como se o certo fosse ficar parado no tempo. A doutrina é perfeita, gostam de reafirmar. Como se algo neste mundo de expiação fosse.

Enquanto isso, aquilo que foi ensinado nos hinos, e principalmente, o exemplo de conduta dado pelo maior de todos os Mestres, nosso Senhor Jesus Cristo, vai ficando de lado. Pensa-se e discute-se mais se Jesus era Deus ou não, se fazia milagres ou não, se Maria era virgem ou não, se o Mestre tinha o controle da "Terra, da Água e do Ar", como alguns pensam que ele tinha, ou não, se o Padrinho Sebastião era realmente a reencarnação de São João ou não, do que se pensa sobre o que realmente importa. Será que estou seguindo o exemplo de Jesus e seus ensinamentos (milagres em segundo plano)? Será que sou uma mãe como Maria foi (virgindade em segundo plano)? Será que tenho tentado seguir os passos de meu Mestre Irineu e ser uma pessoa tão humilde, integra e séria como ele foi (Voar e mover montanhas em segundo plano)? Será que busco ter a firmeza, perseverança e visão que o Padrinho teve (Ser ou não São João Batista é um mero detalhe)?

Os dogmas são o que menos importa. Mas para alguns e inclusive para alguns comandantes, discordar ou questionar qualquer uma destas "verdades" simplesmente significa que você não entende nada.

Aliás, assim como os crentes fazem, desconsidera-se a possibilidade de "salvação" para qualquer um que não esteja na doutrina. Há casos de pessoas que decidiram se afastar, mesmo que temporariamente, e tiveram que ouvir a célebre frase: "Você está se afastando da luz, afinal, eu só vi Jesus no Daime". Como se Jesus tivesse vindo a terra com uma garrafa de Daime na mão e de farda.

Frases de efeito são completamente corriqueiras entre os "crentes" daimistas. Muitas delas inclusive fazem tanto sentido quanto quando os evangélicos usam "amém" como se fosse "tá bom?". Poderia passar horas aqui escrevendo algumas delas.

Existem aqueles também que não se satisfazem apenas em achar que o Daime é o único caminho da salvação. Acreditam que sua igreja sim, é a única certa e a única que pode levar a nova era, num caso típico de fanatismo não apenas pela Doutrina, mas também por um centro religioso. Francamente! O Santo Daime é muito maior do que apenas uma igreja e o Cristianismo muito maior do que o Santo Daime.

Caridade? Tão pregada pelo Mestre? Ah sim, fazemos Daime! Essa é nossa caridade! Além disso, vir aos trabalhos também já é caridade suficiente! Enquanto isso ficamos para trás daqueles mesmos evangélicos que criticamos tanto, afinal, enquanto estamos bailando e cantando, muitos deles estão lá no meio da Cracolândia distribuindo sopão. Missão que gostaria muito de ver os Daimistas realizando.

E o pior, a maioria dos daimistas não sabe responder uma pergunta muito simples: Qual é a doutrina do Santo Daime?

Resumindo, sinto, que em muitos casos, estamos preocupados com muitas coisas. Menos com o que realmente importa.

Se você está com qualquer um destes sintomas, cuidado! Você pode já ser, ou estar a caminho de se tornar um "Crente" do Daime!

A Doutrina do Santo Daime é a mesma de qualquer outra doutrina Cristã. É aquela ensinada por Jesus e que por ser tão simples é tão difícil de ser seguida: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Esta é a lei.

Princípios doutrinários (Consagrar o Daime, hinos, bailado, farda, uso de maracá e etc.) são muito diferentes de procedimento doutrinário. E sinceramente não consigo ver nada no hinário do Mestre, que é o hinário base, que fuja da máxima de Jesus.

A doutrina é belíssima, mas não é perfeita, assim como nenhuma outra. Creio que a busca e a evolução, o aprimoramento devam ser constantes. Como seria possível buscar a evolução dentro de uma Doutrina estacionária?

O Daime tem muito a ensinar e é um veículo fantástico. Grande facilitador de entendimento e de esclarecimentos, mas nossa parte é intransferível. Sem estudo, fica difícil o Daime trabalhar e trazer as elucidações e respostas que tanto queremos. Sabemos bem que no Daime, não há como se esconder de nós mesmos e da verdade, mas a verdade de cada um é limitada por seu nível de consciência. Devemos examinar a nossa, buscar e expandir para que cada vez mais possamos caminhar em sentido a luz. Sair do comodismo e se contradizer são ações imprescindíveis para aqueles que buscam evoluir espiritualmente.

Eu aprendi a amar o Daime e também os Daimistas. Vejo a clara melhora moral na maioria daqueles que se juntam as suas fileiras. Mas ainda acredito que o crescimento possa ser maior. Por isso, jamais amigo Daimista, aceite quando alguém te der uma explicação do tipo "Por que é assim", ou "Por que estou há mais tempo na doutrina e sei disso", afinal pode ser até que quem esteja falando tenha mais tempo de doutrina, ou seja mais velho. Mas e quanto ao espirito? Será que o espirito dele é tão evoluído quanto o seu? Impossível saber. Devemos respeitar o conhecimento de cada um, escutar a todos sem distinção e analisar para buscar nossa verdade. Todos têm a ensinar e a apender. Ninguém é superior, ou pode se considerar mais sábio do que outrem.

Vamos buscar sair deste ciclo e levar a doutrina a outro patamar. O patamar da busca verdadeira, sem conto da carochinha, sem dogmas inexplicáveis e sem alguém que diz que "É assim porque me foi revelado e sou mais evoluído do que você".

Vamos deixar a arrogância de lado e assumir a posição humilde que todo o estudante deve ter. A humildade que todos nós devemos ter, a humildade que Mestre Irineu teve enquanto aprendia com a Rainha da Floresta, que até ensiná-lo a cantar ensinou. Vamos buscar entender o motivo por trás de toda a ritualística dos trabalhos e se necessário, questioná-los! Nem sempre tudo deve ser exatamente como era há 100 anos, oras!

Vamos buscar a caridade verdadeira, aquela que se estende para fora da igreja e dos irmãos da igreja. Vamos amar ao próximo independentemente de onde ele venha. Vamos visitar instituições, dar atenção, fazer campanhas de arrecadação de alimento, vamos viver a caridade que o Mestre pregou! Tenhamos amigos de outras Doutrinas e aprendamos a respeitar e escutar pontos de vista diferentes, afinal, não somos os "escolhidos". Todos aqui na terra são o povo de Deus. Deus é um só para todos, Daimistas ou não e não seria justo como é se tivesse preferência por um grupo ou por outro.

Acredito no potencial de cada irmão daimista. Acredito que se chegou ao Daime foi por uma vontade inerente de ser o melhor que pode ser. Acredito na nova geração de Daimistas que vem com sede de saber, de evolução e mudança. Acredito no Daime e acredito que pode ser uma doutrina cada vez mais bela e completa, mais do que já é.
 
Eu acredito. acredite!

domingo, 15 de janeiro de 2012

O Grande Estudo de Francisco Corrente



."New Jerusalem Canopy", arte de Spencer Williams

"Como é que o Mestre vivia com o povo dele? Era plantando arroz, plantando feijão, plantando macaxeira, plantando cana, plantando banana, para ter a fartura natural. Quer dizer: que essa aqui é a riqueza que o Mestre deixou na nossa mão, foi essa tradição, esse conhecimento de trabalhar uma terra e da terra tirar o pão de cada dia. (...) o Santo Daime, enquanto terapêutica alternativa, se realiza, a olhos vistos, não apenas no decorrer de suas sessões e hinários festejados, mas também no esforço do trabalho com a terra, na enxada, no terçado, no machado, na pá e no aguador, para assim se receber as energias positivas e eliminar positivamente as negativas, regidos pelo movimento do Sol, da Lua e das Estrelas, sendo essa a sabedoria regeneradora para curar os homens das cidades ao reencontrarem sua harmonia profunda com a Mãe Natureza, e assim serem mais felizes. Este é o exemplo do Céu do Mapiá."

Essas palavras de Francisco Corrente da Silva fazem parte da entrevista que realizei com ele para publicar no Suplemento Especial do jornal acreano "O Rio Branco" em comemoração ao Centenário do Mestre, na terça-feira 15 de dezembro de 1992, com o título "Herança do Mestre - Tradição Agrícola convive com Daimistas". Demonstram a essência do pensamento de Sebastião Mota com relação à busca de autosubsistência de seu povo na floresta amazônica, que nos primeiros tempos do Mapiá era desenvolvida através de trabalhos agrícolas em regime de mutirão que afirmavam a força do relacionamento comunitário. E essa com certeza é uma característica notável na pessoa do "Tio Chiquinho", o qual vinte anos atrás me recebeu na Colônia Cinco Mil, que na época dirigia, e me iniciou no Daime e na Cultura da Ayahuasca em si: até minha primeira calça de farda azul, boca-de-sino, era dele e me foi presenteada. Na mesma reportagem de 1992 eu assim me referi a ele:

"Mesmo para quem não o conhece, Francisco Corrente é uma personalidade que desperta forte empatia no primeiro contato. Verdadeiro representante da cultura amazônica da ayahuasca, na síntese encontrada entre o xamanismo indígena, as tradições esotéricas dos novos-cristãos que colonizaram o Nordeste brasileiro, e a umbanda, o tio Chiquinho, como lhe chamam seus afilhados, é, aos 44 anos de idade, um espelho da Doutrina do Santo Daime".

Ele nasceu em Sena Madureira, Estado do Acre, no dia 20 de julho de 1948, filho do piauiense Manoel Corrente e sua esposa Dona Maria. No Dia de Todos os Santos de 1971, em Rio Branco, fardou-se, e se conta que neste dia teve um "passamento" dos mais formidáveis. Aprimorou-se ajudando nos feitios de Daime de eméritos irmãos da casa como Raimundo Gomes, Francisco Grangeiro e Sebastião Mota, e juntamente com seu pai e o restante da família acompanhou a este último quando da criação da igreja da Colônia Cinco Mil. Aí casou-se com Iolanda Braga, fardada do Mestre e cunhada da filha deste, Marta Serra, e tiveram a filha Janaína. Acompanhou o Padrinho Sebastião no Rio do Ouro e no Mapiá, mas a pedido deste se encarregou da gerência da Cinco Mil enquanto o Padrinho Wilson voltava a ocupar a direção dos trabalhos espirituais da antiga igreja-matriz do Centro. Caboclo guerreiro como seu pai, o Padrinho Corrente, a partir dos anos 90 passou para a Fazenda São Sebastião, na Boca do Mapiá, coordenando vários feitios nas áreas do Rio Purus. Verdadeiro capitão-de-mato da Doutrina, seu hinário pode parecer pequeno comparado com tantos outros, com muitos hinos curtos de apenas duas estrofes que se podem repetir à vontade, mas é exatamente por essa "concentração" energética que resulta em um trabalho de muita força, muita luz, e muito estudo, seja bailado no salão, em batições de jagube nos feitios ou em sessões especiais de cura.

"O Signo do Teu Estudo", título do primeiro hino, hoje dá nome ao seu hinário. Talvez seja uma necessidade que as pessoas sentem de que os hinários tenham títulos, quando a princípio apenas alguns hinos possuiam nome específico (por exemplo, o "Unaqui", o "Leão Branco", o "Flor de Jagube" do Mestre Irineu). No caso do caderno de hinário do Padrinho Francisco Corrente, talvez o "signo" ainda não esteja develado, e o nome do caderno ainda virá para ele. O fato é que este seu hinário é mesmo um grande estudo, não apenas para ele próprio que na força do Daime recebeu seus hinos, mas para toda a irmandade ligada ao Padrinho Sebastião. Seu último hino diz:

Aqui cheguei, aqui chegueiAqui cheguei e vim me apresentar
Aqui cheguei, aqui chegueiAqui cheguei, eu vim me matricular
O Pai Eterno e a Virgem MãeE os professores que estão a ensinar
Que o mistério deste segredo
Está nesta escola para todos estudar.
A gravação que apresentamos é de excelente qualidade, com destaque para o rico instrumental e o timbre particular do dono do hinário. Para baixar os 34 hinos do caderno "O Signo do Teu Estudo", em formato wma, com caderno para impressão e cifras musicais, clique em:
Wilton George, dirigente do CHAVE de São Pedro, junto do nosso "Tio Chiquinho".

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

HOMENAGEM AO SR CHICO CORRENTE

Francisco Corrente da Silva
20/07/1948 - 10/01/2012
ICEFLU

Neste dia 10 de janeiro, fez a passagem em Rio Branco (AC), o caboclo Francisco Corrente da Silva. Nosso querido tio Chico, como era conhecido, foi um guerreiro de inestimado valor em nosso movimento socioambiental. Travou grandes batalhas pela liberdade religiosa e preservação da floresta, sempre com alegria e entusiasmo. Conduzia com mestria elevados "banquetes espirituais", levando a todos a luz do conhecimento e indicando os caminhos para a cura física e espiritual. Sempre maroto e apegado a terra, acordava cedo para capinar os jagubes e rainhas, onde quer que estivesse. Boa viagem Padrinho Chico, estará sempre em nosso coração e "alguma vez, em pensamento".






 




Confira abaixo uma entrevista com  Francisco Corrente da Silva, publicada no Caderno Especial do Jornal O RIO BRANCO, durante o festejo do Centenário do Mestre (15.12.1992).


A idade do sr.?
Eu tenho quarenta e quatro anos.
Filiação?
O nome do meu pai é Manoel Corrente da Silva, e da minha mãe Maria Corrente da Silva.
Então o sr. está morando aqui na Fazenda São Sebastião...
Eu tô com dois anos e dez meses aqui nessa fazenda. (na data de 17 de outubro de 1992).
Eu queria que o sr. passasse os dados dessa fazenda, que está aqui na boca do Mapiá praticamente, nas portas do igarapé do Mapiá, onde passa todo o movimento de quem entra e quem sai do Mapiá.
Pois não. Pois é, acontece é isso: a fazenda, ela é mesmo a palavra que você citou, que é adequada mesmo, ela é a porta do Mapiá. Quem vem do Mapiá, chega aqui, termina, saiu do Mapiá pra ir pro mundão, né... E quem vem pra chegar no Mapiá, quando chegou na fazenda
já chegou no Mapiá: é a escada da comunidade do Mapiá, é aqui. Aqui é um ponto, aqui ela funciona mixto - nós temos um pronto-socorro do Daime, porém é a tradição da fazenda é o que segura o povo na fazenda, é um pronto-socorro. Aqui é que todo mundo que vem pro Céu do Mapiá, que vem a bem de saúde, onde encontra o Daime é aqui. Aqui é um dos pontos, quando a pessoa vem tratar, que vem conhecer o Céu do Mapiá (por curiosidade, não, mas por bem de saúde, mas por bem de saúde) por necessidade que a pessoa vem, chega aqui a gente acolhe e faz o ponto de emergência, o pronto-socorro, aqui a gente vai fazer o trabalho...
Multiplicadas pessoas daqui volta, pra ir em casa pra depois ir ao Mapiá. Chega aqui, tomou Daime, fica bom, tem melhora, aí vai em casa se alicerçar pra poder ir pra o Mapiá pra passar uma temporada; daqui eles pegam os dados de tudo o que se deve fazer pra se curar. Porque a
cura do Daime, como a gente vem fazendo aqui, ela não é uma cura sem esforço - ela tem que ter um esforço, ela tem, que o povo que toma
Daime a bem de saúde, ele tem que ter uma dieta, ele tem que ter um controle da alimentação, ele tem que ter uma base, de estado de
observação pra ele obter a saúde dele. Não é ele tomar o Daime duas, três vezes, e se achar que sarou, não. É ele ter a seqüência do trabalho. Pra ter essa seqüência, às vezes, ele chega na Fazenda, toma o Daime, a gente diz como é que é pra fazer, ele volta em casa, aí num tempo determinado volta.
Ou outras pessoas que tá ficando na Fazenda, que tá aumentando o grupo da Fazenda aqui, é pelos necessitados - famílias que chega aqui sem condições de ir ao pé do médico, sem condições de chegar numa cidade pra cuidar da própria saúde, chega aqui a gente tem um controle tanto pelo lado do Daime quanto pela saúde também, porque a base da Fazenda é um embrião de posto de educação e saúde. Porque tem que educar as pessoas pela parte ambiental, educar as pessoas pela parte social, porque a comunidade da fazenda ela funciona com um cunho social, ela tem uma sociedade. O pessoal da comunidade do Céu do Mapiá eles têm um compromisso, eles têm uma disciplina, eles têm o que é um regulamento: Todo pai de família tem que trabalhar pra se manter, toda mãe de família tem que trabalhar pra se manter: ter sua casa, ter o seu roçado, ter a sua base alimentar. Porque aí, através da alimentação determinada, muitas curas são feitas através da alimentação. 80% dos problemas sérios que chega aqui na Fazenda, do povo, é falta de alimentação, é alimentação descontrolada (é comer aquilo que o intestino não resiste, comer aquilo que o corpo não tá reagindo mesmo totalmente, pelo excesso de gordura, ou qualquer tipo de crise que a pessoa tenha no corpo). Às vezes é até interno, ninguém vê: porque geralmente o homem do campo, o homem do mato, ele só acredita que está doente quando vê o machucado lá, vê o corte, ou vê a pancada, se acha quebrado. Quer dizer, a parte do organismo do homem, aqui eles não cuidam disso, eles são ignorantes por esse lado, eles não têm essa educação. Então essa educação o pessoal do Mapiá controla ela, ela tem esse lado, e assim que a comunidade vai crescendo e acolhendo muitas famílias que estão necessitadas de uma boa alimentação, necessitadas de uma melhor escola, de um melhor professor, uma assistência médica - que tudo isso a comunidade do Mapiá tem controle.
Então, como aqui a Fazenda é uma porta de entrada, os que querem entrar pra dentro da comunidade, aqui a gente já tem um pequeno ponto de informação do povo: Como é que o pessoal do Mapiá trabalha, como é que o pessoal do Mapiá vive, como é que a comunidade cresceu, por que foi que ela cresceu - ela cresceu em cima de dois pontos-chave: a educação e a saúde.
Muito pai de família tinha vontade de educar os filhos, não conseguia morar perto de uma escola. Muito pai de família tinha vontade de tratar dos seus filhos, não tinha condições de chegar num médico pra dar aquele check-up na família. Foi no Céu do Mapiá, teve condição. Porque quando chegou, é uma coisa comunitária, uma sociedade aberta, ainda não chegou num limite de basta - nisso, todas pessoas que vêm com necessidade, estão cuidando e sendo cuidadas, e tá aumentando o pessoal da comunidade.
O pessoal da terra, da região, 80% do povo da região todos são daimistas hoje, não é curiosidade não, é necessidade. Um veio, se deu bem. Outro veio também, se deu bem, e hoje tá num limite que a gente tá estudando como deve fazer essa base, que a comunidade funciona em cima da agricultura. Se a Fazenda não tiver um pólo agrícola pra manter, pra colocar esse pessoal, pra ensinar esse pessoal a entrar na fase da agricultura mesmo, se todo mundo não entrar firme pra comer da terra, pra tirar da terra o pão do dia a dia, vai ter uma dificuldade, porque só assim a gente vai controlar, porque só controlando o povo, colocando cada qual nos seus cantos, a gente vê o tamanho que a
comunidade pode crescer. Porque quando não tiver mais lugar pra colocar ninguém, aí já sabe que a comunidade já está pronta - não cabe
mais ninguém.
Vamos se estudar o causo, como deve fazer: o plano da gente é se expandir, entrando em contato com as autoridades onde é que tem
comunidade pra montar, pra dividir o povo, que assim também é conforme está sendo o desenvolvimento do Daime no país. Porque o Daime foi ali na Custódio Freire pelo Mestre Irineu, foi montado por ele, ele preparou os seus fiéis. Depois de tudo pronto, com a desencarnação do
Mestre, a viagem dele ao canto eterno, ficou muita gente junto, aí começou a dar problema, desentendimento... Aí o Presidente foi dividindo o povo, dividindo um bocado prum canto, cada qual tomando conta dum pessoal, fazendo o seu Daime e dando pro seu povo, e cada povo foi crescendo na medida da organização. Com a proporção da capacidade do líder o seu grupo foi crescendo. Então Sebastião Mota tomou de conta de um povo, fez uma igreja na Colônia Cinco Mil. Quando o povo tava pronto na Colônia Cinco Mil ele convidou o pessoal pra ir pro mato, que porém era uma visão espírita que ele tinha, de montar um povo e levar pro mato, pra colocar o pessoal no mato, que porém no mato é onde tinha condição do pessoal viver. E assim ele preparou um povo, e depois do povo pronto, ele deixou o povo e se embrenhou-se no mato - achou o lugar, levou o pessoal pro mato. Quando tava instalando o povo, chegou os donos da terra, as autoridades, dizendo que não era ali o lugar - mas porém o povo tinha direito a um lugar. Aí ele (o INCRA) botou à disposição pra escolher. Então o seu Sebastião Mota saiu de lá do Rio do Ouro pra vir procurar o lugar, não sabia se era Céu do Mapiá, saiu pra procurar o
lugar. Quando encontrou o lugar, que porém era o Mapiá, denominou por nome de Céu do Mapiá, e começou a explorar.
Nessa exploração ele montou um povo, e quando ele estava se arrumando pra vir pro Céu do Mapiá, apareceu umas pessoas do Sul pra ter um contato com ele, saber o que ele fazia, como é que ele existia, o que é que ele fazia, qual era a opção do trabalho dele - enfim, teve uma
prestação de contas, dele com as autoridades. Nessa prestação de contas, os homens que o observaram viram que ele tinha um fundamento.
Aí foi na hora que o Daime conseguiu chegar no Rio de Janeiro. Com a chegada do Daime no Rio de Janeiro, aumentou a responsabilidade
do sr. Sebastião Mota muito mais do que ele tinha, porque tinha que fazer Daime pra esse pessoal todo, tinha que distribuir conhecimento
pra esse pessoal todo que tava tomando Daime, que cada uma pessoa que toma Daime tinha que ter com ele um diálogo, pra saber dali o quê que ia fazer, o quê que sim, o quê que não, e assim foi trabalhado isso de 83 até 88, o movimento, uma preocupação dele. Em 88 ele sentiu-se sentado, a base pronta - no Rio de Janeiro funcionava Daime, São Paulo funcionava, em todo canto funcionando, e tudo dentro de uma organização que a gente via que tinha um limite, que era uma coisa controlável.
E dentro desse controle foi que chegou o ponto de hoje a gente  já ter uma responsabilidade e uma grande preocupação com o amanhã da
Doutrina. Então é o nosso primeiro passo - tamos educando o povo a plantar jagube, a plantar rainha, conseguir terreno fértil com capacidade de produção de arroz, milho, feijão, etc. - em suma, ter uma base pro pessoal poder se manter plantando, trabalhando a terra... Nisso, muito delicado, porque também não se pode também derrubar em excesso, tem que ir derrubando devagarzinho a mata, ir plantando de novo, estudando o quê que vai plantar: é uma coisa muito delicada. Aqui, a Fazenda é um ponto que vem trazendo um cuidado de
explicar ao povo que estão chegando, que estão passando por aqui, que vêm visitar o Mapiá, o quê que é o processo d'agora: é todos os
interesses para uma grande produção - de arroz, de milho, de feijão, de jagube, de rainha... em suma, tudo aquilo que nós precisamos de
alimentação-base, que nem a cana-de-açúcar, e outras coisas que seja obrigatoriamente nós ensinar a tradição do Mestre.
Como é que o Mestre vivia com o povo dele? Era plantando arroz, plantando feijão, plantando macaxeira, plantando cana, plantando
banana, pra ter a fartura natural. Quer dizer, que essa aqui é a riqueza que o Mestre deixou na nossa mão, foi essa tradição, esse conhecimento de trabalhar uma terra e da terra tirar o pão do dia a dia. E aí é que tá a nossa preocupação, digo nossa, da Diretoria, quer
dizer - os homens que tão de pé no chão mesmo, sabendo que o que o Mestre queria é o que o Mestre quer: quer é a produção, o homem
ensinar os filhos a plantar, ensinar os filhos a colher, ensinar a plantar e a colher - em suma, ter a agricultura como a base da vida.
Dentro desse trabalho é que vem a preocupação da expansão da Doutrina.
Nós estamos vendo chegar muita gente de fora que não sabe o quê que é uma enxada, não sabe o que é o plantar na terra, não sabe o que é o comer do seu suor. E isso aí é muito delicado, nós temos que trabalhar com cuidado, todos que estão chegando são necessitados de aprender, mas passaram a vida em outro sistema, foram criados vendo número, é outra história: são um povo estranho pra nós, são uns irmãos que estavam em outra parte do mundo porém estão entrando agora aonde nós estamos, aqui dentro da mata, aqui mesmo aonde o homem tem contato com a terra direto, naturalmente mesmo o homem vê, tá vendo a facilidade de se preocupar com o desenvolvimento da comunidade, porque quando ele chega aqui, que vê como é que ela funciona, em que pé que nós estamos, a preocupação de ter Daime pro povo, de ter arroz pro povo comer, ter farinha pro povo comer, a preocupação de ver o povo colocado, de ver o
pessoal com bastante na sua casa.
Isso aqui é que é uma das coisas mais sérias, porque aí é onde funde a energia da comunidade: um paiol cheio de legume, um roçado bem
plantado, uma água boa pras nossas crianças tomar banho e beber, uma escola boa, o melhor médico... Aonde está a educação e a saúde é aonde está a base fundamental de todos os nossos esforços da comunidade. Porque ali é onde nós fecha os pontos aonde a pessoa não pode recuar. Você tá com saúde? Tá. Você tá estudando? Tá. Então o que é que você quer mais? Você está se alimentando? "Tô". Pois é, então vamos cuidar, não vamos perder a tradição não. Continuar... Vamos levar à frente porque só assim nós estamos de
fronte erguida: o que é que estamos fazendo? Estamos plantando alimentação. Tamos? Tamos. Tamos cuidando da nossa saúde? Então tamos em dia... Dentro desse movimento é que digo com plena certeza - o trabalho de seu Sebastião Mota, do Mapiá, não foi mais nem menos do que colocar o povo que o acompanhou. Todo mundo que acompanhou ele,
ele colocou. Na mata. Deu a cada qual o lugar onde se colocar. Aonde a pessoa quis, que escolheu, achou bom; então colocou todo mundo. Se tem algum irmão ou irmã insatisfeito, por tê-lo seguido a ele, mas enganado não veio, porque ele explicou para onde é que vinha, o que é que vinha fazer, passou então um ano sozinho na mata, o pessoal consultando ele, vendo ele trabalhar, o que é que ele queria fazer, o
que é que ele fez, aonde ele colocou a família e quem lhe acompanhou.
Então a preocupação da gente mesmo do Mapiá, eu que tô aqui na porta, com cuidado nesse lado, é a parte da organização. Ninguém quer deixar que o Mapiá funcione desorganizado - tem que ser organizado. Tá derrubando mata pra plantar? Tô. Você vai plantar o quê aqui dentro? É pra plantar mesmo, acompanhar, que aqui eu tô fazendo a conta-base, eu tô plantando... Você derruba uma árvore, eu pego os filhotes dela e planto em outro canto. Eu tô derrubando seringueira? Eu tô plantando seringueira... Eu tô tirando tudo que eu tô plantando. E tem umas que eu nem derrubo e eu tô plantando. Que é pra não acabar a tradição, tenho a certeza que é. Aqui nessa mata existia aguano, pois é - eu tenho plantado; existia samaúma - tá aqui - eu tenho plantando. Não perder a tradição, trazer o pessoal consciente de que a natureza é a nossa Mãe. Se nós não tá respeitando ela, nós não estamos garantidos. O nosso apoio aqui é que a gente tá fazendo tudo moderadamente, dentro de um regulamento estudado, pra ser renovável. Se nós tamos brocando aqui, vamos plantar o quê? Vamos deixar a mata - daqui a uns dez anos tá uma mata formada de novo, tá. Como é que tá? Então vamos plantar de novo. Fazer direitinho. Que eu digo e provo - tô dizendo aqui pro senhor ouvir e vamos lá no sítio pra ver onde é que tá as sementeiras, que tá as plantas que porém são nativas da região. O açaí, a bacaba, o patuá, o buriti, tudo em alimentação que a floresta nos amostra como bênção, nós vamos ter que plantar. Educar nossos filhos pra plantar, pra não terminar. Porque se nós seguire no regulamento que tamos fazendo, eu tenho certeza de que ninguém vai perder o apoio de ser dono da floresta. Porque pra nós ser dono nós temos que saber zelar, e saber zelar é continuar a tradição, plantar na terra o que na terra tem.
E isso, como eu disse, é sério, preocupa a gente... Preocupação de educar esses garotão que tão chegando, que não sabe nem quanto custa
estar aqui, o preço que se gastou pra chegar até aqui, o preço de moral, o preço de saúde, o preço de conhecimento... Não é um preço de número não, porque se fosse de número tudo bem... É um preço de vida, de valor de vida, é anos rodados aqui dentro, trabalhando com muita atenção, descobrindo como se deve fazer, qual é a maneira melhor de fazer pra dar certo, pra não ter prejuízo. Isso é uma universidade que só o homem depois que tá dentro, com muita atenção, que vai aprendendo e vendo direitinho que o Professor Tempo é o melhor professor que tem.
Agora, tem os outros professores que adiantam muito. Mas o Professor Tempo, a Natureza, a Professora Natureza aqui é quem ensina o homem mesmo a se inteirar, pisar no chão e ter certeza de que tá dizendo que "tô aqui" é porque "tô, eu tô vivendo a minha vida, eu tô me
respondendo" - em outras palavras, "eu estou me mantendo", "eu me garanto". O que é que você garante? É que eu tô plantando de tudo o
que eu tô usando. Tô plantando o agora, o mais tarde, e o daqui a muitos anos. Então, só assim, que essa é a educação-ambiente desse povo. É a preocupação de eu estar aqui nessa porta - Tô aqui, nessa porta, batalhando, não é porque eu ache bonito, não. Não, é porque eu tenho necessidade de mostrar pros companheiros o que eu aprendi com o Mestre. Eu aprendi dele esse ponto: trabalhar a terra. Eu aprendi dele esse ponto: fazer pra me manter. Ensinar o povo direitinho como é que se vive em cima da terra: na parte da Agricultura. É plantando, zelando, colhendo em tempo, tendo um lugar pra guardar, tendo cuidado com a semente que é a parte mais fundamental. Cuidado pra não perder as sementes de arroz - semente, em suma, tudo o que você vê que é alimentação ter cuidado, tratar sério. Fazer que é a TUA vida. Eu digo TUA porque é a minha. Se tu queres estar comigo, para me seguir, faz com que a terra seja a tua MÃE e a Agricultura seja a tua VIDA. É o teu dia a dia. É o teu sustentáculo. "Por aqui tu vai, por aqui tu
vai"...

por Eduardo Bayer


Fonte: http://www.idacefluris.org.br/

sábado, 26 de novembro de 2011

O Plantar e Colher




27 - PLANTAR E COLHER 
Júlio César


Meus irmãos eu vim aqui
A todos esclarecer
O belo jogo da Vida
Que é plantar e colher


Quem planta colhe, colhe tudo que plantou
Vamos plantar sempre a semente do Amor


A sementeira está
Dentro do seu pensamento
Semente boa ou ruim
Se planta todo momento
Preste atenção na semente do Perdão
Que dá os frutos que alimenta o coração


O tempo vem nos mostrar
Quem plantou certo ou errado
Nos trás a pura verdade
Dos atos lá do passado
O tempo passa e não espera ninguém
O Pai Eterno logo vem colher também



Todo mundo é livre
Pra plantar o que quiser
E construir o seu Ser
Com os frutos que vai colher
Vamos plantar como plantou o Meu Jesus
Plantou Amor e adubou com a Santa Luz


Viva Cristo sorrindo
Nas alturas onde está
Tanta gente vem vindo
Só para lhe louvar
Jesus Cristo é a semente do Amor
Brota da Alma do nosso Pai Criador

Do Hinário "A Chave" - De Júlio César

domingo, 23 de outubro de 2011

Ensinamento de Hoje


Para ouvir com qualidade pressione pause ou stop na rádio ao lado

O plantar e o colher

Meus irmãos, eu vim aqui
à todos esclarecer,
o belo jogo da vida,

que é plantar e colher;

Quem planta colhe, 

colhe tudo o que plantou,
vamos plantar sempre

a semente do Amor;

A sementeira está,

dentro do seu pensamento,
semente boa ou ruim,

se planta a todo momento;

Preste atenção à semente do perdão,
que dá frutos que alimenta o coração;

O Tempo vem nos mostrar,

quem plantou certo ou errado,
nos traz a pura verdade,

dos atos lá do passado;

O Tempo passa e não espera ninguém,
o Pai Eterno logo vem colher também;

Todo mundo é livre,

pra plantar o que quiser,
e construir o seu ser,

com os frutos que vai colher;

Vamos plantar como plantou o meu Jesus,
plantou Amor e adubou com a Santa Luz ;

Viva Cristo sorrindo,

nas alturas onde está,
tanta gente vem vindo,

só para lhe louvar;

Jesus Cristo é a semente do Amor,
brota da alma do nosso Pai Criador.

(ofertado por Júlio César para o Vô Corrente)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Cruzeiro Cifrado

Cifragem da Comunidade Flores de Amor:

O Jardim de Belas Flores


Faça o download do livro comentado com as partituras dos hinos:

O JARDIM DE BELAS FLORES

do mestre Raimundo Irineu Serra

O HINÁRIO o Cruzeiro Universal

COMENTADO por Juarez Duarte Bomfim