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quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Arte do Silêncio






Uma Meditação Silenciosa durante 40 dias

Na tradição ióguica, as meditações, praticadas por um certo número de dias, têm um certo efeito. Quarenta dias é o mínimo para quebrar um hábito e fixar a base para uma mudança interna. Um estudante perguntou-me uma vez: "Quarenta dias seguidos?" A classe inteira riu. Sim, quarenta dias seguido. E se para você parece muito tempo, lembre-se de que muitos mestres espirituais no passado levaram 40 anos para alcançar a iluminação.

Vamos começar:
Esta é uma meditação simples para se praticar durante os próximos 40 dias. Meditação realmente silenciosa e atenta será a nossa lição. Usaremos esta meditação para revisar nosso progresso e avaliar nossa meta que é alcançar a paz interna, a satisfação e uma vida mais rica e mais plena.

Parte 1:
Todos os dias fique em silêncio e ouça o seu interior. Antes de o sol nascer é o melhor momento, ou pelo menos, antes de você começar o dia de trabalho. Simplesmente sente-se quietamente, observe seus pensamentos, sinta a sua respiração e sinta as sensações em seu corpo. Suave e silenciosamente esteja com você. O tempo ideal é de 22 ou 31 minutos. Se você não tem tanto tempo, 11 minutos também é um tempo ióguico para a meditação.

Parte 2:
Durante o dia, escute o seu interior antes de interagir com os outros. Faça o melhor de você obter suas próprias respostas, antes de buscar um conselho. Processe seus próprios pensamentos e sentimentos antes de os compartilhar com os outros. Compartilhe só os pensamentos que informem e elevem os outros. Não jogue suas emoções nos outros, como uma fuga para evitar que você as processe.

Parte 3:
Uma vez por semana pratique a meditação silenciosa com um parceiro ou com um grupo de amigos. Além disto, combine algumas situações onde podem observar o silêncio: um passeio, em casa, um jantar ou qualquer outra atividade. Combinem anteriormente o processo para que você possa relaxar e desfrutar a experiência. Tenha um caderno à mão para o caso de precisar comunicar-se.
Resultados:

A prática do silêncio nos alerta sobre quando focamos nossa atenção para o externo e procuramos respostas fora de nós mesmos. Percebemos que muito do que dizemos é desnecessário e um desperdício de energia. Começamos a ver como tentamos preencher
nossos espaços vazios para nos sentir confortável ou fazer a outra pessoa se sentir confortável. Encontramos nossa intuição e "ouvimos" Deus nos espaços livres de nossa mente. Tenho que me escutar se quiser ouvir minha intuição. Não é que a intuição não trabalhe, ela está dormente por inatividade ou está enterrada devido a todo o barulho mental. Não estamos escutando, confiando, nem seguindo nossa intuição. Quando não escutamos nossa intuição, nossa Alma grita, se irrita e ficamos transtornados.

sábado, 21 de julho de 2012

O PODER DO SILÊNCIO



Pensar antes de reagir é uma das ferramentas mais nobres do ser humano nas relações interpessoais. 

Nos primeiros trinta segundos de tensão, cometemos os maiores erros de nossas vidas. 

Falamos palavras e temos gestos diante das pessoas que amamos que jamais deveríamos expressar. 

Nesse rápido intervalo de tempo, somos controlados pelas zonas de conflitos, impedindo o acesso de informações que nos subsidiariam a serenidade, a coerência intelectual, o raciocínio crítico. 

Um médico pode ser muito paciente com as queixas de seus pacientes, mas muitíssimo impaciente com as reclamações de seus filhos. 

Pensa antes de reagir diante de estranhos, mas não diante de quem ama. 

Não sabe fazer a oração dos sábios, nos focos de tensão, o silêncio. 

Se vivermos debaixo da ditadura da resposta, da necessidade compulsiva de reagir quando pressionados, cometeremos erros, alguns muito graves. 

Só o silêncio preserva a sabedoria quando somos ameaçados, criticados, injustiçados. 

Cada vez as pessoas estão perdendo o prazer de silenciar, de se interiorizar, refletir, meditar. 

O dito popular de contar até dez antes de reagir é imaturo, não funciona. 

O silêncio não é se aguentar para não explodir, o silêncio é o respeito, pela própria inteligência. 

Quem faz a oração dos sábios, não é escravo do binômio do bateu-levou. 

Quem bate no peito e diz que não leva desaforo pra casa, não pensa nas consequências de seus atos. 

Quem se orgulha de vomitar para fora tudo que pensa, machuca quem mais deveria ser amado, não conhece a linguagem do auto controle. 

Decepções fazem parte do cardápio das melhores relações. 

Nesse cardápio precisamos do tempero do silêncio para preparar o molho da tolerância. 

Para conviver com máquinas não precisamos de silêncio nem da tolerância, mas com seres humanos elas são fundamentais. 

Ambos são frutos nobres da arte de pensar antes de reagir. Preserva a saúde psíquica, a consciência, a tranquilidade. 

O silêncio e a tolerância são o vinho dos fortes, a reação impulsiva é a embriaguez dos fracos. 

O silêncio e a tolerância são as armas de quem pensa, a reação instintiva é a arma de quem não pensa. 

É muito melhor ser lento no pensar do que rápido em machucar, 

É preferível conviver com uma pessoa simples, sem cultura acadêmica, mas tolerante, do que com um ser humano de ilibada cultura saturada de radicalismo, egocentrismo, estrelismo. 

Sabedoria e tolerância não se aprendem nos bancos de uma escola, mas no traçado da existência. 

Ninguém é digno de maturidade se não usar suas incoerências para produzi-la. 

Todo ser humano passa por turbulências na vida. Para alguns falta o pão na mesa; a outros a alegria na alma. Uns lutam para sobreviver, outros são ricos e abastados, mas mendigam o pão da tranquilidade e da felicidade. 

Os milionários quiseram comprar a felicidade com seu dinheiro, os políticos quiseram conquistá-la com seu poder, as celebridades quiseram seduzi-la com sua fama, mas ela não se deixou achar. Balbuciando aos ouvidos de todos, disse: “...Eu me escondo nas coisas simples e anônimas...”. 

Todos fecham os seus olhos quando morrem, mas nem todos enxergam quando estão vivos. 


Augusto Cury

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Silêncio

Wayra - Voices of the Wind
Nós os índios, conhecemos o silêncio. Não temos medo dele. 
Na verdade, para nós ele é mais poderoso do que as palavras. 
Nossos ancestrais foram educados nas maneiras do silêncio e eles
nos transmitiram esse conhecimento. 
"Observa, escuta, e logo atua", nos diziam. 
Esta é a maneira correta de viver.
Observa os animais para ver como cuidam se seus filhotes. 
Observa os anciões para ver como se comportam. 
Observa o homem branco para ver o que querem. 
Sempre observa primeiro, com o coração e a mente quietos,
e então aprenderás.
Quanto tiveres observado o suficiente, então poderás atuar.
Com vocês, brancos, é o contrário. Vocês aprendem falando. 
Dão prêmios às crianças que falam mais na escola. 
Em suas festas, todos tratam de falar.
No trabalho estão sempre tendo reuniões
nas quais todos interrompem a todos,
e todos falam cinco, dez, cem vezes. 
E chamam isso de "resolver um problema". 
Quando estão numa habitação e há silêncio, ficam nervosos. 
Precisam preencher o espaço com sons. 
Então, falam compulsivamente, mesmo antes de saber o que vão dizer.
Vocês gostam de discutir. 
Nem sequer permitem que o outro termine uma frase. 
Sempre interrompem.
Para nós isso é muito desrespeitoso e muito estúpido, inclusive. 
Se começas a falar, eu não vou te interromper. 
Te escutarei. 
Talvez deixe de escutá-lo se não gostar do que estás dizendo. 
Mas não vou interromper-te.
Quando terminares, tomarei minha decisão sobre o que disseste,
mas não te direi se não estou de acordo, a menos que seja importante.
Do contrário, simplesmente ficarei calado e me afastarei. 
Terás dito o que preciso saber. 
Não há mais nada a dizer. 
Mas isso não é suficiente para a maioria de vocês.
Deveríamos pensar nas suas palavras como se fossem sementes. 
Deveriam plantá-las, e permiti-las crescer em silêncio. 
Nossos ancestrais nos ensinaram que a terra está sempre nos falando,
e que devemos ficar em silêncio para escutá-la.
Existem muitas vozes além das nossas. 
Muitas vozes.
Só vamos escutá-las em silêncio.


"Neither Wolf nor Dog. On Forgotten Roads with an Indian Elder" - Kent Nerburn